terça-feira, 14 de julho de 2009

Média de público dos estádios sedes da Copa do Mundo de 2014.

A FIFA divulgou as 12 cidades que irão receber os jogos da Copa do Mundo de 2014. Algumas delas têm bastante tradição no futebol, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza e Recife.

Outras cidades possuem tradição mediana, como Natal e Brasília e existem as cidades que não possuem qualquer tradição futebolística, como Manaus e Cuiabá.

Penso que para uma cidade receber uma construção como um estádio de futebol, um dos requisitos básicos é que sejam realizados estudos de viabilidade técnico/financeira. Um desses estudos poderia dizer a capacidade ideal do estádio de cada cidade.

Não sei como foram definidas as capacidades de cada um dos estádios que irão abrigar os jogos da Copa do Mundo. Apesar do estudo de viabilidade ser complexo, podemos ter uma idéia rápida da capacidade que cada arena deve ter através da média de público que cada estádio tem recebido durante as competições nacionais de futebol.

Como curiosidade, de acordo com a Revista Placar, no Guia 2009 do Brasileirão, os 10 estádios mais usados no Brasil são os seguintes:

1º - Maracanã;
2º - Mineirão;
3º - Morumbi;
4º - Fonte Nova;
5º - Pacaembu;
6º - Couto Pereira;
7º - Beira Rio;
8º - Serra Dourada;
9º - Olímpico; e
10º - Arruda.

Desses 10 estádios, 5 serão utilizados durante a competição internacional.
Ainda de acordo com a mesma revista, a média de público dos últimos cinco campeonatos brasileiros foi a seguinte:

- 2004 – 8.805 torcedores;
- 2005 – 13.765 torcedores;
- 2006 – 12.401 torcedores;
- 2007 – 17.461 torcedores; e
- 2008 – 16.992 torcedores.

Apesar da média de público do campeonato nacional não ser alta, alguns clubes possuem boa média, ultrapassando os 20mil torcedores por jogo:

2005 – Corinthians – 27.319 torcedores / jogo;
2006 – Grêmio – 25.630 torcedores / jogo;
2007 – Flamengo – 39.221 torcedores / jogo;
2008 – Flamengo – 40.624 torcedores / jogo; e
2009 – Flamengo – 34.144 torcedores / jogo.

Para termos idéia da média de público que cada estádio sede da Copa de 2014 recebeu durante as competições nacionais, nos campeonatos brasileiros de 2006, 2007 e 2008, consultamos o site oficial da Confederação Brasileira de Futebol.

De acordo com as estatísticas do site, a colocação entre os 12 estádios é a seguinte:

1º - Fonte Nova / Barradão (2008) - Salvador – 27.092 torcedores;
2º - Maracanã – Rio de Janeiro - 23.185 torcedores;
3º - Morumbi – São Paulo – 22.205 torcedores;
4º - Mineirão – Belo Horizonte – 20.092 torcedores;
5º - Beira Rio – Porto Alegre – 19.686 torcedores;
6º - Arruda – Recife – 19.332 torcedores;
7º - Castelão – Fortaleza – 13.735 torcedores;
8º - Arena Baixada – Curitiba – 13.346 torcedores;
9º - Machadão - Natal – 8.473 torcedores;
10º - Vivaldão – Manaus – 4.155 torcedores;
11º- Verdão - Cuiabá – 1.979 torcedores; e
12º - Mané Garrincha – Brasília – 1.309 torcedores.

Como podemos notar, os três últimos estádios possuem média de público muito baixas.Acredito que durante os jogos da Copa do Mundo essa média seja alta, mas e depois? O que fazer com um estádio para 70 mil pessoas em Brasília se, após os jogos da Copa, a média irá voltar para pouco mais de mil torcedores por jogo?

Cuiabá quer construir um estádio para 48 mil pessoas, mas durante o ano recebe em média 1.979 torcedores. Já Manaus pretende reformar o Vivaldão para abrigar 45 mil pessoas. Durante os três últimos anos recebeu em média 4.155 pessoas.

Alguns outros estádios recebem um público médio relativamente baixo, como o Machadão, a Arena da Baixada e o Castelão. Entretanto, essas cidades possuem clubes de futebol tradicionais, o que facilita a ampliação dessa média com simples campanhas publicitárias, até porque a modernização dos estádios também irá contribuir com isso.

Os demais estádios recebem boa média de público e com boas gestões e modernas instalações esportivas, terão tudo para melhorar essa média.

Por isso não sou a favor da escolha dessas três últimas cidades em detrimento a outras que possuem muito maior tradição no futebol. A construção desses grandes estádios deveria ser feita pensando em sua utilização durante o ano todo e também pensando no desenvolvimento do produto “Campeonato Brasileiro”.

Um palco moderno e confortável atrai mais torcedores ao estádio, desde que os times possuam esses torcedores. Além disso, aumenta o interesse e o valor do espetáculo para as televisões no momento da compra dos direitos de transmissão, o que aumenta as cotas pagas a cada clube.

Dizer que esses estádios serão utilizados após os Jogos da Copa do Mundo para outras funções até seria admissível, caso esse não fosse seu único destino. Não faz sentido construir um estádio de futebol para depois ele virar um centro de convenções ou uma casa de shows, uma arena de eventos. Faz sentido sim, um estádio de futebol também abrigar espetáculos diversos, porém, priorizando os jogos de futebol.

Não é mais fácil e barato construir uma edificação destinada apenas a esses eventos diversos?
Gostaria de dizer que nada tenho contra as cidades de Brasília, Cuiabá e Manaus. Mas, por se tratar de um evento futebolístico, penso que outras cidades mais merecedoras poderiam ter sido escolhidas e com certeza esses estádios seriam muito mais utilizados.

sábado, 4 de julho de 2009

Série Copa do Mundo: MARACANÃ

Na série sobre os comentários dos estádios que irão sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014, chegou a vez do tradicional estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

O estádio Mario Filho, ou Maracanã é o maior estádio brasileiro e durante muito tempo foi o maior estádio do mundo. Foi construído em 1950 para receber jogos da primeira e única Copa do Mundo realizada no Brasil até o momento. Infelizmente, foi o palco da final em que a seleção brasileira perdeu para a seleção uruguaia por 2 x 1, jogo esse que foi considerado uma das maiores zebras da história das copas do mundo.

Nesse jogo, o estádio recebeu um público de 199.854 torcedores. Recorde mundial.
Após a primeira grande reforma, ocorrida em 1999, sua capacidade foi reduzida para pouco mais de 103 mil pessoas. Foram instalados assentos sem encosto no anel superior. Isso fez com que o estádio deixasse de ser o maior do mundo, perdendo o posto para o Estádio Azteca, no México.
Atualmente, o maior estádio do mundo é o Estádio Rungrado May day, na Coréia do Norte, que pode receber até 150 mil pessoas e foi construído em 1989.

A segunda grande reforma foi realizada entre 2005 e 2006, período esse que o estádio ficou fechado. As obras foram necessárias visando a realização dos Jogos Pan-americanos de 2007.
Foi nessa reforma que o gramado foi rebaixado e as sociais foram prolongadas, acabando com a famosa geral. Dessa forma, a área nobre do estádio, próxima ao campo, foi tomada por cadeiras com encosto, tornando o local muito mais confortável. Também foram feitas novas rampas de acesso para as cadeiras e as arquibancadas e foram instalados novos placares eletrônicos coloridos e de LCD e ainda telões atrás de cada gol, abaixo da cobertura de concreto armado.
O acesso para o público ao interior do estádio dá-se por quatro entradas, duas para o setor das arquibancadas e duas para o das cadeiras inferiores.

Como pode-se notar, o estádio do Maracanã tem o formato elíptico, semelhante aos estádios do Mineirão e Castelão.
Atualmente possui uma cobertura de concreto armado que protege parte dos torcedores da intempéries. O campo de jogo é separado da torcida por um fosso, de 3 metros de profundidade.

Para a Copa de 2014, o Estado do Rio de Janeiro já planeja uma nova reforma no estádio. Um ponto de discussão e revolta é a proposta de demolir o Parque Aquático e o Estádio de Atletismo existentes no local para dar lugar a instalações destinadas ao torneio futebolístico.

Acho que a proposta de demolirem tais instalações nunca deveria ter sido feita. Não apenas porque o Parque Aquático e o Estádio de Atletismo são protegidos pela prefeitura (decreto municipal) mas também pela falta de consideração por essas instalações esportivas e, principalmente, com as pessoas que utilizam esses lugares.

O estádio Olimpico de Berlim não contava com uma área de 25 mil metros quadrados para instalações provisórias. Não dá para aceitar demolir algo existente a décadas para serem colocadas instalações provisórias em seu lugar. E depois? O que será feito com a área? O Parque Aquático e o Estádio de Atletismo serão construídos novamente? Com o dinheiro público? Acho que essa possibilidade nem poderia ter sido levantada.

O estádio do Maracanã é monumental. Não precisa de reformas gigantescas para sediar qualquer evento. O que precisa é organização. Assentos numerados e com encosto, modernos banheiros, modernas lanchonetes, acessos internos limpos, pessoas dentro do estádio auxiliando e educando os torcedores, etc.

Demolir algo protegido para colocar uma instalação provisória no lugar é realmente absurdo. Se realmente for uma exigência da FIFA, que se façam instalações provisórias no próprio estádio de atletismo e depois do evento que elas sejam retiradas, sem demolir o local.

Me parece que os responsáveis pelos projetos de alguns estádios brasileiros não estiveram na Copa do Mundo da Alemanha e não sabem o que é esse evento.

Nos estádios de Munique e Berlim as estações de metrô e trem não ficavam na porta do estádio, pelo contrário, era preciso uma boa caminhada até chegarmos ao local. As placas de informações eram poucas, tanto que foi necessário dar a volta em todo o estádio até chegar ao portão de entrada para nosso bilhete. O estádio de Berlim tinha sim uma área para as instalações provisórias, mas nunca com 25 mil metros quadrados.

Como diz o arquiteto Antonio Carlos Saraiva, responsável pelo primeiro projeto de reforma do estádio, "Não existe essa exigência no caderno de encargos da Fifa, e lemos tudinho, com a maior atenção. O que se diz é da necessidade de melhorar a evacuação do local, mas para isso há soluções".

O arquiteto Saraiva argumenta que tanto os espaços externos, quanto as salas e demais compartimentos das duas arenas poderiam ser ajustados às necessidades da Fifa, antes e durante o evento. "Por exemplo, as piscinas do Júlio Delamare, podem ser cobertas com pisos elevados industriais, que poderiam ser removidos ao final da Copa. Se a proposta parece razoável, por que não é aplicada?”.

A solução do arquiteto Saraiva é óbvia, simples e funcional.

O pior nisso tudo é que tanto o Parque Aquático (R$ 10 milhões) quanto o Estádio de Atletismo foram recentemente reformados. Gastou-se dinheiro público com duas construções que serão demolidas no ano de 2010? Ou o Estado do Rio de Janeiro está com muito dinheiro ou estão brincando com dinheiro público.

Em relação ao projeto de Reforma do Maracanã, gostei do que foi pensado para a reforma do estádio que irá receber os jogos da Copa do Mundo de 2014. A estrutura e as características da arena foram mantidas. É um estádio que tem a arquitetura brasileira. Não vemos um local assim em nenhum lugar fora de nosso país. Quando for colocada a imagem aérea do Maracanã, todos saberão que ali aquele é um estádio brasileiro. Apenas não concordo com o que foi projetado para o entorno do local.

Mas um absurdo divulgado é que o Governo do Estado avalia em até R$1 bilhão os gastos com a reforma do Maracanã. R$ 1 bilhão para a reforma de um estádio que já foi reformado para receber a abertura dos jogos Panamericanos do Rio?

Algo está errado. Um estádio recentemente reformado não pode custar mais R$ 1 bilhão para ficar pronto.

Mas vamos comentar apenas sobre o projeto.

Acho que a nova cobertura foi muito bem projetada. Ficou muito elegante e não destrói as características originais da existente. Pelo que consigo ver na maquete eletrônica, as arquibancadas não foram modificadas. Concordo também com essa posição. Acho que o Maracanã é um ótimo local para se ver um jogo e já foi criado um ótimo setor quando foram colocadas cadeiras no lugar da geral, visando os jogos Panamericanos.

Apenas discordo das cores das cadeiras. É um detalhe pequeno, mas são nos detalhes que um estádio fica melhor do que outro. Poderia ser adotada apenas uma cor de cadeiras. A cor azul, escolhida para os assentos do anel inferior, poderia ser utilizada também para o anel superior. Ou, no máximo uma outra cor para o anel superior. Não é porque é no Brasil que as cores precisam ser verde, amarelo, azul e branco. Isso para mim é falta de criatividade.

Todas as cadeiras devem ter encosto, visando um conforto maior aos espectadores. Os placares eletrônicos são muito bonitos e característicos do local. Não precisa ser investido dinheiro nesse item.

Devem ser construídas lanchonetes em melhores condições, apesar de que, o que vi nos estádios alemães durante a Copa de 2006 fez com que eu ficasse mais tranqüilo quanto a esse item. Acho que precisa melhorar sim, mas não a ponto de serem construídas lanchonetes gigantescas. Talvez fosse interessante serem construídas praças de alimentação embaixo das arquibancadas. Isso não foi visto nos estádios alemães e é um item agradável, relativamente barato e que leva conforto aos torcedores.

Os sanitários precisam ser melhorados. Devem ser colocadas uma porta para a entrada e outra para saída dos torcedores, evitando aglomerações desnecessárias na porta dos sanitários.

Na maquete eletrônica consta o antigo fosso que, de acordo com a FIFA, não será permitido pois os torcedores precisam ter acesso ao campo de futebol em caso de existir algum problema nas arquibancadas, como incêndio ou tumulto generalizado. Talvez seja o caso de avançar um pouco mais as arquibancadas até esse limite, caso isso seja possível.

Penso que os acessos internos para os torcedores são bem largos e confortáveis. O acesso para as atuais cadeiras azuis lembra o acesso para as cadeiras inferiores do estádio de Munique. Não percebi qualquer problema grave de visibilidade nesse lugar. Quem chega apenas admira o campo de jogo, o comprimento das arquibancadas e sua beleza.

O acesso externo ao público é muito bom. Existem estações de trem e metrô próximas e passam várias linhas de ônibus. Com o aperfeiçoamento desses sistemas de transportes será mais fácil ainda deixar os carros em casa. Lógico que, nos finais dos jogos, esses sistemas estarão abarrotados de pessoas, como ocorria nos jogos da Copa da Alemanha. Talvez uma boa solução seja criar linhas de ônibus exclusivas para o torneio e aumentar o número de trens no metrô e de superfície.

Um ponto importante comentado é sobre o estacionamento de veículos. Pouco se fala é que uma grande parte do público que irá ver os jogos será formado por turistas estrangeiros e que esse tipo de turista normalmente não possui carro, utilizando apenas os sistemas públicos de transporte e/ou táxi. Levando-se em conta isso, nota-se que a área de estacionamento será muito menos necessária na Copa do Mundo do que em um jogo entre Flamengo x Fluminense, por exemplo.

Penso que o estádio do Maracanã é a arena mais bem preparada para receber a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Lógico que precisa de reformas, como todo grande estádio precisaria, ainda mais um estádio que irá receber a final da Copa.

Para a Copa do Mundo de 2014, o estádio Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, terá capacidade para receber 96mil pessoas sentadas confortavelmente. Será um grande e moderno estádio, que dará ainda mais orgulho aos torcedores brasileiros e irá mostrar, a quem não o conhece, o que é um estádio característico de nosso país.

Apenas não acredito que sejam necessários R$ 500 milhões ou até R$ 1 bilhão para dar condições de receber uma Copa do Mundo a um estádio que já é muito bom e que fará um grande sucesso durante o torneio.

Notas:

Característica das Arquibancadas: ótima
Cobertura: Existente – boa / Projeto – ótima
Distância do Campo de Jogo: boa
Entorno: ótimo
Assentos: bons
Estrutura Interna: boa
Gramado: bom
Cidade: boa
Tradição: excelente

Vista Interna: Projeto
Estádio do Maracanã
Projeto Maracanã 2014
Castro Mello Arquitetos
Projeto Entorno do Maracanã
Aqt Antonio Carlos Saraiva